11 Questões a Carlos Antunes

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Por Tiago Mendes

11 QUESTÕES A CARLOS ANTUNES
Se tiver a gentileza de responder, a algumas que seja, ainda que superficialmente, fica a garantia de que o debate será cordial e q.b. fechado. Grato.
A. METEREOLOGIA
1. De que forma entram Temperatura e Humidade no seu modelo?
2. Foram os fatores metereológicos tidos em conta aquando das previsões que fez em Janeiro, que levavam à conclusão de que, com o confinamento então proposto e em vigor, os casos só baixariam a níveis pré-Natal em meados de Abril?
3. Como considerará o “efeito Primavera” nas previsões que faz hoje, nos cenários de diferentes níveis de confinamento (em particular, a questão da 19ª/20ª semana)?
B. CRIANÇAS | ESCOLAS
É indiscutível a evidência que apresenta de que a alteração na dinâmica (sobretudo, aceleração) da incidência terá sido maior no grupo etário mais baixo. Posto isto:
4. Concorda que isso não é suficiente, sobretudo face ao que observámos noutros países, com medidas bem distintas, para concluir que, a existir algum efeito nos contágios, ele tinha sido pouco mais que residual?
5. Considerou que a questão de “causalidade” poderá estar trocada, pelo menos em parte? Ou pelo menos desvalorizada? Que a diminuição (mesmo que assimétrica) na incidência nas crianças pode estar simplesmente (pelo menos em parte) ligada ao facto de que, com as escolas abertas, ao “mínimo” alerta sobre casos positivos em adultos, eram feitos testes a dezenas ou centenas de crianças? E que com o fecho das escolas e a paragem da economia isso deixou naturalmente de acontecer?
6. Considerou a questão de elas poderem estar já imunizadas? Que um “positivo” é apenas um positivo a um Teste PCR, não um comprovativo de “evidência de capacidade de transmissão”? (Sei que isto são questões um pouco a montante da modelização, mas que não devem ser descuradas; e também há testes antigénio, sim.)
C. INVESTIGAÇÃO | COMUNICAÇÃO
7. Desde quando é que a análise principal sobre a dinâmica de infeções respiratórias tem como principal factor “a tendência dos últimos 10 dias?”
8. Desde quando estuda o fenómeno de epidemiologia? Como vê a postura e visão dos que seguem a “epidemiologia clássica”, por exemplo, o Prof. Jorge Torgal?
9. Como investigador, neste contexto, como lida com o problema da complexidade e incerteza nestas modelizações? Com certeza faz intervalos de confiança e simulações para diferentes parâmetros. Por que razão é que fez em Janeiro, e continua a fazer, ainda que com um pouco menos de assertividade, comunicações sobre “valores centrais” das previsões, sem dar o devido relevo à incerteza, sem explicar que se factor A ou B se alterarem, as previsões seriam assim ou assado, ou pelo menos partilhando os intervalos de confiança?
[As pessoas não são assim tão burras, e acredite que compreendo a necessidade de dar “alguma segurança” aos telespectadores – para não falar nos governantes. Mas estamos a lidar com a vida e saúde de milhões. Faz-me confusão que não seja partilhada mais informação, mesmo que (não duvido) seja com boas intenções.]
10. Incluiu (se sim, como) imunidade prévia a este tipo de vírus no seu modelo?
11. Como investigador, com o enorme historial e currículo que tem, tentando abstrair-se um pouco do destaque que tem tido, colocando-se de fora, como encararia – sem fulanizar – estudos e previsões que afectam a vida de milhões e (i) erram rotundamente as previsões, (ii) não partilham de forma cabal os seus pressupostos), (iii) parecem não rever pressupostos face ao erro e (iv) não dão um passo de humildade no sentido de trazer mais amplitude ao debate (e até pedir desculpa)?
Caro Carlos Antunes, são perguntas genuínas.
Se tiver a gentileza de responder, mesmo que apenas a algumas, mesmo que de forma rápida, ficaria muito agradecido. Garanto que o debate será cordial e fechado q.b. (peço desde já aos leitores que se abstenham de entrar diretamente no debate e que enviem antes questões por MP).
Obrigado.
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