Os parolos do Rt

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O INSA Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, anunciou que o Rt nacional é 0,730095268. Exactamente assim, 0,730095268 com 9 casas décimais. Nove. Assim 9,000000000000.

Nada como impressionar parolos com número muito grandes, muito exactos, eles é que sabem, eles é que fizeram as contas. Ouviram meros mortais?!

Eles é que certamente sabem que há por aí alguém com metade do dedo mindinho do pé direito com covid! É que é a conclusão lógica de um número com tanta precisão, com tantas casas decimais!

Isto é tão absurdo que mais esta é apenas mais uma do chorrilho de especialistas dos números da treta.

Os números não são números, são abstrações da realidade. Se conseguimos medir o número de infectados à unidade, cada pessoa, e nos últimas semanas houve no máximo dias com contagens de infectados com 4 dígitos (10 000) a precisão de qualquer medida derivada dessa contagem pode ter no máximo 4 digitos significativos, neste caso, 3 casas decimais. Mas nem isso, nunca poderia ser publicado com mais de 2 casas décimais, porque a maioria dos dias só teve 3 digitos significativos. Quando muito o Rt pode ser expresso como “é 0,73”

Isto é um erro tão básico de cálculo que qualquer parolo que apresentasse isto num teste de Física do secundário, ou Cálculo do 1 ano da universidade seria chumbado liminarmente sem apelo nem agravo.

Isto é apenas um bando de oportunistas, funcionários escolhidos por favor politico, funcionarios reciclados para tarefas sem qualquer formação, apenas a podridão do funcionalismo publico de um estado decadente.

Estes são os “especialistas” que foram depois escolhidos para no Infarmed ilegalmente aconselharem o governo, quando esse papel é por lei do Conselho Nacional de Ssaúde Pública que foi silenciado.

Mas é muito mais grave, porque olhar para o Rt quando a prevalência e os números são residuais é um erro tremendo de fascinados por números, que não passam de burros a olhar para palácios. Isto é conhecimento básico de epidemiologia, com números baixos induzem flutuações gigantescas de variáveis secundárias. Um aumento de 1 para 3 é um aumento de 300%, um Rt de 3, mas uma inutilidade irrelevante em termos epidemiológicos de 3 infectados em 10 000 000 da população.

Que o INSA não saiba de precisão de números é chocante. Que o INSA não saiba epidemiologia para vir dizer que é errado olhar para o Rt é um atestado de incompetência. Que o INSA se deixe arrastar por matemáticos incompetentes e oportunistas para debate de números absurdos é o colapso de toda a epidemiologia nacional, que já não existia, tomada por serviçais da sua ambição politica. Que o INSA não denuncie a tomada da decisão por pessoas sem qualquer gabarito cientifico em epidemiologia, e que participe lado a lado em reuniões ilegais é conivência com o crime. Mas o INSA é apenas um antro de funcionários com ambição politica e de carreira a quem o silêncio e “sim, senhor ministro” traz mais benesses que a objectividade. Logo o INSA dança a dança do poder, e os milhões de seres condenados à fome, recusados cuidados médicos, deprimidos e desesperados são apenas notas de rodapé da “saúde pseudo pública”

 

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