“Os hospitais estão cheios” Dizem-me alguns com olhos doces

“Os hospitais estão cheios” Dizem-me alguns com olhos doces

Os hospitais estão cheios, é preciso abdicar do Natal.

Os hospitais estão cheios, é preciso abdicar do ano novo.

Os hospitais estão cheios, é preciso abdicar da familia e amigos

Os hospitais estão cheios, agora é que vão morrer muitos.

Dizem-me alguns com olhos doces, estendendo-me os videos youtube e entrevistas nos programas da manhã

De que seria bom que nós os ouvissemos

Quando me dizem “ou fazes ou morremos todos”

 

Mas os dados, os dados objectivos não vão por ali, insistem em desmontar a alucinação que nos querem impor.

Utilização hospitalar com dados de Novembro. Utilização minima histórica. Não estão cheios, estão destruidos pela cobardia.

Vemos o padrão mais claro que água destilada, de subida e descida no inverno e verão da utilização hospitalar nos anos anteriores. Vemos o padrão de descida de 2020. Não é o virus, é o medo.

Vemos o colapso do total de dias de internamento, pessoas com medo de pedir ajuda médica, tratamentos fundamentais cancelados e adiados. Não vemos qualquer efeito do virus.

Vemos a mortalidade hospitalar em queda livre – pessoas que morrem enquanto estão em cuidado hospitalar , quando a mortalidade total do país está acima da média: Milhares de pessoas estão a morrer abandonadas em casa, em lares, sem cuidados sem que os “hérois da linha da frente” mexam uma palha. A diferença entre mortalidade hospitalar e mortalidade total, a mais alta historicamente, é a mortalidade em casa, abandonados.

Os hospitais podem estar em caos, mas não é o virus, é a cobardia de quem aceita, de quem exige, de quem obedece a regras asininias que destroem séculos de prática clinica. Profissionais cobardes que tem medo da sua profissão e implementam “protocolos” de proteção  mais quadrados que uma porta, que implicam horas desperdiçadas em equipamento e regras para proteger de um virus banal. Regras que esventram hospitais em dois, divididos pela cor das cuecas ditada por um teste de valor estatistico nulo. Profissionais que seguem como carneiros as mentiras do jornalixo e deixaram a Cochrane, a pubmed e a ciência médica num armário a entrada da faculdade. Profissionais mais preocupados com o número de referencia como “herois na linha da frente” que com a linha da morte dos seus doentes.

“Os hospitais estão cheios” Dizem-me alguns com olhos doces

https://transparencia.sns.gov.pt/explore/dataset/morbilidade-e-mortalidade-hospitalar/analyze/

Cântigo Negro – José Régio

“Vem por aqui” – dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: “vem por aqui!”
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali…
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
– Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos…
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: “vem por aqui!”?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí…
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?…
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos…

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios…
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios…
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: “vem por aqui”!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou…
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!”

 

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