Estudo sobre máscaras que afirma serem capazes de prevenir infeção

Estudo sobre máscaras que afirma serem capazes de prevenir infeção

Circula um estudo, obviamente repetido ad nauseaum pelo jornalixo – ao contrário do estudo Dinamarquês que era um RCT, logo o nível de prova mais elevado possivel – que tem como conclusão que usar máscara tem potencial para reduzir infeção.

Como obtiveram tal resultado?  Manipulando o que significa “infeção”.

Em vez de usar métricas objectivas como “número de casos” ou “número de mortos” ou qualquer outra objectiva, usam faixas de Rt. Vão buscar uma métrica altamente influenciada por ruído estatistico – nem sequer há um método normalizado de cálculo de Rt. Não satisfeitos em usar uma métrica derivada, quantificam a métrica.

Em vez de comparar uso de máscara com valor absoluto de Rt, quantificam o Rt em “abaixo de 1, acima de 1”.

Depois dizem que há 3x mais possibilidade de o Rt estar abaixo de 1 com uso de máscara. Isto é uma manipulação tão fraudulenta que mete nojo. Obviamente a diferença entre “acima de 1 e abaixo de 1” pode ser apenas 0,000000000000000001 em termos absolutos de Rt. Mas assim já podem dizer “3x vezes mais probabilidade” em vez de dizerem, a máscara leva a uma redução de Rt de 0,00000000000000000001%. Ou ainda pior teriam de dizer que o uso de máscara impede 1 infeção por ano.

Depois inventam uma série de desculpas para o que fizeram, com a cereja em cima do bolo de “evitar auto correlação”, ou seja, traduzido, evitar que os dados mostrem o que não queremos.

Rt was aggregated to the week and dichotomised as epidemic slowing (1 if Rt <1) or epidemic at maintenance or growing (0 if Rt ≥1). Rt was dichotomised to reduce noise (non-biologically relevant changes in Rt ) from small
fluctuations in the underlying data, reduce autocorrelation

Obviamente não fazem qualquer análise estatística sobre variáveis sazonais. Não há qualquer tentativa de excluir efeitos meteorológicos ou de sazonalidade dos dados. Se há um efeito só pode ser por causa das máscaras….

Mais, excluem da análise as perguntas do inquérito que podem reflectir a sazonalidade! Excluiram as perguntas “usa máscara enquanto faz exercicio no exterior?” porque “não tem relevância biológica”. Sabendo os truques da arte, tenho a sensação que foi excluida porque indicaria que praticar desporto no exterior seria de facto a variável primária e não tinham nada para publicar….

Obviamente não fazem qualquer distinção entre máscaras, distanciamento e lavar mãos. O estudo menciona isso, mas o jornalixo obviamente atribui tudo a “máscaras“.

Usam como fonte de dados para o valor de Rt o site rt.live. No site aparece um alerta bem visivel que o método de cálculo mudou  significativamente a 19 junho, exactamente a meio do estudo. Isto é um estudo sobre a mudança do cálculo de Rt, que por acaso deu um resultado que parece estar ligado a máscaras!

O estudo baseia-se em inquéritos e análise de dados retrospectiva. Sabe-se perfeitamente a baixa fiabilidade de inquéritos, para mais  no estudo os participantes não foram escolhidos de forma aleatória – ainda que os autores mintam sobre tal, o processo que descrevem não e de forma alguma aleatório!!! Isso é fundamental para qualquer inquérito/sondagem ter validade estatistica.

https://www.thelancet.com/journals/landig/article/PIIS2589-7500(20)30293-4/fulltext

 

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